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Sexta-Feira, 15 de Maio de 2026

Gravidez pode mascarar sintomas de outras doenças e exige atenção redobrada - 06/05/26


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Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 20% das gestantes apresentam alguma complicação ao longo da gravidez (Crédito: divulgação)
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 20% das gestantes apresentam alguma complicação ao longo da gravidez (Crédito: divulgação)

Ginecologista da Hapvida explica que o período, marcado por mudanças físicas e hormonais, pode esconder outros problemas de saúde

A gestação é um período marcado por mudanças físicas e hormonais que provocam sintomas considerados comuns, como náuseas, cansaço, dores e inchaço. No entanto, esses sinais também podem indicar problemas de saúde e exigem atenção quando fogem do padrão esperado.

A história da professora Elisflavia Rodrigues da Assunção Guimarães, de 37 anos, ilustra como a gravidez pode dificultar a identificação de condições mais graves. Em virtude de alterações atípicas no volume abdominal, a paciente realizou exames mais detalhados, que revelaram um câncer intestinal em estágio avançado, já com metástase nos ovários. O cenário, identificado durante o pré-natal, ilustra como sinais que podem ser atribuídos à gestação exigem investigação cuidadosa e acompanhamento médico rigoroso.

Diante da gravidade do quadro, uma equipe multidisciplinar precisou reavaliar rapidamente a condução da gestação. O parto foi antecipado, em uma cirurgia de alta complexidade que garantiu o nascimento da bebê prematura, com boa evolução clínica, e permitiu o início do tratamento da mãe. O caso evidencia a importância do pré-natal atento e integrado, capaz de identificar precocemente alterações fora do esperado e tomar decisões que preservem a vida da mãe e do bebê.

Complicações na gravidez
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 20% das gestantes apresentam alguma complicação ao longo da gravidez, como anemia, diabetes gestacional, hipertensão e infecções urinárias. Muitas dessas condições começam de forma silenciosa ou com sintomas leves, semelhantes aos desconfortos típicos desse período.

Entre os sintomas que merecem atenção estão náuseas e vômitos intensos, que podem indicar hiperêmese gravídica; inchaço, que pode estar relacionado à pré-eclâmpsia; dor de cabeça, possivelmente associada à pressão arterial elevada; dor abdominal, que pode sinalizar infecções ou complicações obstétricas; e falta de ar, que pode estar ligada à anemia ou alterações cardiovasculares.

A preocupação deve surgir quando os sintomas são intensos, persistentes, pioram com o tempo ou aparecem acompanhados de sinais como sangramento, febre, alterações visuais ou dor intensa.

“As manifestações mais comuns da gravidez nem sempre são apenas adaptações do corpo. Quando fogem do padrão podem indicar condições que precisam de investigação e acompanhamento adequado”, afirma o ginecologista e obstetra da Hapvida, Clayton Fortunato Filho.

Sinais de alerta
De modo geral, sintomas comuns tendem a ser leves e transitórios. Já os sinais de alerta costumam ser mais intensos, súbitos ou persistentes. Situações como sangramento vaginal, dor abdominal intensa, dor de cabeça forte com alterações visuais, falta de ar importante, febre, diminuição dos movimentos do bebê ou perda de líquido exigem avaliação médica imediata.

Complicações mais frequentes
As principais complicações durante a gravidez incluem diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, infecções urinárias e anemia.

“Muitas dessas condições começam de forma silenciosa. O acompanhamento adequado permite identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas mais graves”, destaca o especialista.

Importância do pré-natal
O pré-natal é essencial para a detecção precoce de possíveis problemas e para a redução de riscos para a mãe e o bebê. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o acompanhamento adequado pode reduzir em até 20% as complicações graves na gestação.

Exames como hemograma, glicemia, sorologias, exame de urina e ultrassonografias são fundamentais ao longo da gravidez. Além disso, grupos de risco, como gestantes com mais de 35 anos, adolescentes, mulheres com doenças prévias, obesidade ou histórico de complicações, exigem acompanhamento ainda mais rigoroso.

Manter o pré-natal em dia, seguir as orientações médicas, adotar uma alimentação equilibrada, controlar o ganho de peso e evitar álcool e tabagismo são medidas que ajudam a reduzir riscos.

“Quando há alguma complicação, o acompanhamento se torna mais próximo, com mais consultas e exames. Em alguns casos, pode ser necessário antecipar o parto para garantir a segurança da mãe e do bebê”, conclui o ginecologista.



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